Sociedade de Tiro ao Alvo

A idéia de se criar um clube de tiro ao alvo, como divertimento dominical, sempre pairou no pensamento dos primeiros imigrantes do Sítio Grande (mesmo antes de 1881) pois, sabe-se em todo o mundo, que o amor ao esporte do Tiro, simbolizado na figura tradicional do heróico Guilherme Tell, é inato em cada filho dos Alpes. Mas todo desejo e idéias de se criar o clube de tiro acabavam esbarrando na principal dificuldade da época que era a situação dos colonos, comprometidos com os patrões, de não se ter a chance de se pensar em conjunto e também pela falta de uma liderança para tal empreendimento. Quando muito, aos domingos, reuniam-se dois ou três possuidores de espingarda e munição e realizavam uma caçada com alarde pelas matas da vizinhança.

Idealizadores e Fundadores do Clube de Tiro ao Alvo

A situação se reverteu com a chegada de um cidadão de Obwalden que não pertenceu a grupo algum dos imigrados daquele local. Ele veio sozinho até Sítio Grande, 23 anos depois do primeiro grupo e quatro antes do segundo. Seu nome é José Amstalden, nascido em 1850 e falecido em 1912, na Suíça, para onde retornou em 1887. Desde sua chegada na casa de sua tia, Ana Maria Von Zuben Amstalden, em Sítio Grande, José Amstalden desempenhou o papel de intermediário entre conterrâneos e nativos, feitores e escravos. Unindo-se às famílias Ambiel e Bannwart, José Amstalden viabilizou a introdução do esporte de Tiro ao Alvo em Sítio Grande. Tomadas as primeiras providências e escolhido o local – perto da residência dos Ambiel, num extenso valo, em meio às palmeiras e ao longo de um cafezal – surgia em 1877 o primeiro “stand” de tiro. Como arma, introduziram a modalidade mais antiga e mais econômica: o arco e a seta, “Boga und Bolz”.

Primeira Festa do Tiro ao Alvo – Marco da Fundação

Depois de três anos de preparativos do local cedido pelo patrão para praticar o esporte, e depois de muitos exercícios de tiro, os colonos sitiograndenses de comum acordo resolveram fundar a Sociedade, realizando a PRIMEIRA FESTA DE TIRO AO ALVO. O campeão foi o jovem Arnoldo Bannwart. Estava fundada a Sociedade de Tiro ao Alvo. Era o dia 24 de agosto de 1885.

Na segunda festa, em 1886, usaram armas de fogo: era uma espoleteira com bala de chumbo. Foi um espetáculo bem mais atraente do que o silencioso arco. A partir de então, as mais variadas armas de fogo foram usadas nos torneios e nas festas. A terceira festa, em 1887, foi a derradeira solenidade realizada no recanto de Sítio Grande pois outro valo havia sido descoberto – o do Capivari-Mirim. Diante disso, outra colônia estava nascendo: a Colônia Helvetia. Para lá irão transferir-se os pioneiros fundadores e outros conterrâneos seus, em 1888.

Durante os seis anos seguintes, a Sociedade interrompeu suas atividades específicas, contentando-se com ocasionais exercícios de tiro em “stand” e alvo improvisado. Suspensas as atividades por força da transição do regime de colonato para o regime de plena autonomia econômica e social, foi reanimado com entusiasmo, na base de Estatutos próprios, elaborados por João von Deschwanden, professor contratado da Suíça, contando com a assinatura de 39 sócios no documento de promulgação.
Ao longo dos anos seguintes, algumas modificações foram introduzidas, como ocorrido em 1977, quando a antiga Festa do Tiro passou a ser a Festa da Tradição. Atualmente, a Festa da Tradição é realizada entre os meses de julho e agosto. Hoje, a Sociedade conta com aproximadamente 150 sócios.