Sociedade Escolar São Nicolau de Flüe

A educação escolar e a fundação da Sociedade Escolar São Nicolau de Flüe

Quando da primeira imigração, em 1854, os adolescentes e adultos já chegaram alfabetizados, evidentemente, na língua alemã. As crianças menores, bem como todos aqueles que nasceram em Sítio Grande, não tiveram acesso à escola e a sua grande maioria permaneceu analfabeta. Aprendiam em casa, com os mais velhos, a assinar o nome e fazer as contas necessárias ao dia-a-dia. Dessa forma, e com muito esforço, alguns conseguiram chegar a ler e a escrever muito rudimentarmente. Foram 40 anos sem Escola. Só em Jundiaí e Campinas havia cursos primários e, assim mesmo, em pequeno número. A eles só tinham acesso os filhos da aristocracia. Basta lembrar que, nos anos 1950, nem vinte por cento da população paulista era alfabetizada e que, quando da Proclamação da República, em 1889, apenas vinte e nove por cento. Os suíços de Sítio Grande tinham, ainda, um outro problema: aprender a língua portuguesa. O aprendizado aconteceu no dia-a-dia da sua vida de trabalho e de suas relações sociais, com os membros das famílias dos fazendeiros e, principalmente, com os escravos com quem eles trabalhavam e junto de quem tinham sua moradia.

Já o grupo de imigrantes de 1881 em diante teve melhor sorte. Todos tiveram a chance de se alfabetizar. Construído o prédio da Escola, dez anos depois, funda-se a Sociedade Escolar São Nicolau de Flüe, que passa a ser a Instituição proprietária e mantenedora da Escola, até 1981. Nesta data, a responsabilidade pela manutenção e direção da Escola passa para a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que, com o auxílio da Prefeitura Municipal de lndaiatuba constrói, em 1985, o novo prédio, junto à Rodovia Santos Dumont. O antigo prédio fica liberado para as atividades sociais e culturais da comunidade.

Durante os 88 anos em que a Sociedade Escolar São Nicolau de Flüe manteve e dirigiu a educação dos helvetianos, não foram poucos os problemas enfrentados, nem de fácil solução. A Escola sobreviveu graças à contribuição dos sócios e de algum subsídio do poder público. Soube, ao longo desses anos, desempenhar, com dignidade e muito trabalho, a função que a si mesma atribuiu. Por isso ela é muito cara ao coração dos helvetianos.

Nos 10 primeiros anos, com pequenos intervalos em que as atividades escolares ficaram interrompidas, a responsabilidade do ensino esteve a cargo de professores leigos, a saber: João Deschwanden (1893-1897), Max Landmann (1898-1901), e José Francisco Bannwart (1902- 1904). Nos quatorze anos seguintes (1905-1918), as Irmãs de Santa Catarina foram contratadas especialmente para ministrar o ensino. Impossibilitadas de permanecer em Helvetia, cederam seu lugar às Irmãs Beneditinas de Sorocaba, que dirigiram a Escola até o ano de 1942. Desta data em diante, o ensino passa a ser ministrado novamente por professoras leigas, nascidas na própria Colônia e já diplomadas nas Escolas Normais da região. A primeira delas foi Leonor Amstalden.

Até o ano de 1939, além das disciplinas comuns ao currículo escolar, ensinava-se também a língua alemã. Especial atenção era ainda dispensada ao ensino da religião e ao canto, onde o Coral de Helvetia ia recrutar as melhores vozes e as mais afinadas.

Com a evolução econômica e social das últimas décadas, a demanda de vagas e de maior escolaridade aumentou consideravelmente, sendo necessária a implantação do primeiro grau completo (oito séries). O espaço físico do antigo prédio escolar se tornou pequeno e a manutenção do ensino gratuito extremamente difícil. Foi por esta razão que, em 1981, a Escola São Nicolau de Flüe passa para a jurisdição do Poder Público, a quem cabe, por determinação constitucional, ministrar o ensino desse nível. Já não era mais possível a manutenção de uma escola pública gratuita com os recursos de contribuições de sócios.

Hoje a clientela é bastante diferente das décadas anteriores. Apenas dez por cento, aproximadamente, dos seus alunos é constituído de descendentes dos Fundadores. Ela atende principalmente aos filhos dos empregados nas chácaras de Helvetia e vizinhança, bem como aos moradores dos núcleos habitacionais ao seu redor.
Muitas famílias da segunda e terceira gerações, embora ainda proprietárias em Helvetia, onde com freqüência passam seus fins de semana, fixaram suas residências nas cidades vizinhas, principalmente lndaiatuba e Campinas. Era normal que seus filhos estudassem nas escolas dessas cidades.

Desobrigada da tarefa de oferecer o ensino de 1º grau, sua principal e primeira finalidade, a Sociedade Escolar São Nicolau de Flüe continua em intensa atividade, dando cumprimento aos outros objetivos dos seus Estatutos: “promover o congraçamento entre seus associados, por meio de iniciativas cívicas, culturais, recreativas e religiosas” (Artigo 2º).
Neste sentido, por sua iniciativa ou com o seu apoio, muito se tem realizado. Enumeramos as principais: curso regular de língua alemã; o clube de Jass, o canto e a dança folclórica, o artesanato, as comemorações das datas cívicas as festas populares, o clube esportivo Bandeirantes etc.

Os fundadores e seus filhos terminavam a sua escolaridade com os quatro anos do curso primário. O mesmo aconteceu com a maioria dos seus netos. Houve, porém, uma parcela não desprezível que teve a opor- tunidade de cursar o ginásio, o colégio e até a Universidade, Desde o início dos anos de 1960, o acesso aos estudos do ensino médio e universitário esteve aberto à grande maioria dos helvetianos, e com o desenvolvimento econômico e social da região, o acesso à cultura e informação esteve cada dia mais acessível a todos.